No armazém dos anos…
Está o anzol, a linha
e o peixe prateado
adormecido no balcão do tempo
está o damasco amarelo
e a memória dos primeiros amores
as estrelas de carambola
com aromas de esmeralda
No armazém dos anos
A passagem para outro tempo
E as margaridas da metáfora
Aquela lua que só os deuses velam,
O ruge do vinho,
com roxo das violetas
O orvalho verde no vinhateiro
Da manhã
Uma estrada cheia de sol
e carrapicho carmim
Tudo que sente, tudo que sonha,
Tudo que espera…
Os anos que desfito em adeuses
E a fita do infinito
Pintada de estrelas
No armazém dos anos…
o crisol de fábulas
no cristal de maio
O vitral de crepúsculo
e o prenúncio da noite
descendo as escadas
através do espelho
No armazém dos anos
Uma poesia azul
Que ainda será escrita.