Urso Branco

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Os graus da existência
fervem sem emoção
Fiz festa no tempo,
joguei confete no passado…
Corri na montanha russa do futuro
e no loop encontrei minhas duas faces
Uma sorria e a outra chorava, paraíso e abismo
Bipolar não são dois ursos brancos no ártico
Estremeci na enchente da solidão
Como as gotas de chuva quente na tempestade
Oceano escuro, neve em chamas
Para-brisa estilhaçado
Motivo esgarçado…
Escrevi, amei, cultivei
o musgo das pedras,
o limo dos lagos,
os liquens nos troncos
Ainda estou no lugar comum das coisas…
Um cesto de vime jaz junto a porta,
um figo descama seu verdor…
tudo esvaece no minuto invisível…
sem perceber a natureza-morta
que me tornei na moldura da vida
Eu vim de um balanço no vento
em rajadas de areia e luz,
mas passei pela porta
como se não existisse.

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