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O Cajueiro e o Mar

Posted on 10 de Março, 202511 de Março, 2025 by Valeria Cristina P. da Silva

Um cajueiro espalhado por mais de um campo de futebol, mais que uma quadra de sina tentacular, verde e vivo. O cajueiro em flor, o maior buquê do mundo! Carregado de cajus amarelos são como milhares de lâmpadas acesas à luz do dia. Pode a luz ter um perfume doce? Pois os cajus iluminam perfumando e o farfalhar das suas folhas cantam ao vento trazendo notas florais, frutais e musicais aos nossos sentidos.

Rezam as lendas do lugar que um pescador plantou o cajueiro, mas quem o regou durante toda uma vida foi uma índia Potiguar que perdera seu filho prematuramente e umedecia, com o seu pranto, o cajueiro.

Crescendo em águas sentimentais o cajueiro recebeu o dom de ouvir e escutava as histórias de todos que vinham descansar à sua sombra e foi crescendo, crescendo, crescendo, crescendo e quanto mais ouvia, mais crescia. As histórias, porém, que mais lhe interessavam eram as histórias sobre o mar, um mundo de águas misteriosas, infinitas e profundas. Diziam os narradores que o mar era da cor dos olhos de Atena, um verde mar!

Seria como as folhas do cajueiro? Sua curiosidade só aumentava e esforçava-se em crescer para o alto tentado avistar o grande mar que aos poucos já se ouvia o canto.

Quando o cajueiro cresceu ao ponto de avistar o mar ele chorou e sorriu

Um amor tão grande o invadiu o cajueiro, então, estremeceu e num extremo esforço começou a crescer rápido e horizontalmente como se corresse em direção ao mar, movendo-se para os lados, criando galhos como ondas pois tendia crescer mais e mais até alcançar o mar para abraçá-lo definitivamente.

E ele continuou a crescer e crescer até ficar preso nas paredes de uma larga muralha, tal e qual o Minotauro no labirinto. Dizem os videntes que um dia o cajueiro arrebentará a muralha e seguirá rumo as profundezas do mar, e assim o cajueiro vai virar mar e o mar cajueiro…

Porém, quando subimos no mirante de sua própria copa e olhamos, vemos que verde do cajueiro e o verde-mar já se tocam e se acariciam na linha do horizonte. Fundiram-se! E agora, ao pé da abóbada celeste, são um só, no tom da cor dos olhos de Atena que não deixa sem recompensa um verde e verdadeiro amor.

Valéria Cristina Silva

Category: conto

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