Categoria: poesia
Um lápis para cada poema
Pinto de azul as flores do dia De carmim as do passado E rosa-laranja as do futuro Pinto um poema Quando a lua crescente É uma xícara de sonho Pousada no firmamento Quero pintar de luz A brisa transparente Como a cor da chuva no rosal Pintar de sonho A…
Cidade Velha
O latejar das chaminés E as tramelas esquecidas Costuram treliças, trapézios, trapiches… Ourivesaria do infinito Um candelabro acende A cada lembrança. As esculturas da memória secretam uma lição do tempo As águas-furtadas Cantam telhados de outrora Nas confrarias oníricas A textura dos vórtices Abrem-se em cúpulas imaginárias Quartos,…
Poesia em V ou um pequeno monumento aliteral da linguagem
Muitos Vês em um Vale! ViVo, Verde, Verbal De Velas existencias de Violetas Vivas e Verbenas Encantadas! De Vitórias e Victorias De Valentes e Verdadeiros De Videiras, Vinhas, Vinhedos De Vinhos, Violinos e Vitrais Em Veludos, Vincos e Vicissitudes De Veleiros e Viagens De Vagas e Ventos De Vértices, Vórtices e Vozes Do Ventríloquo…
Sineiros do tempo
O Alaúde de pedras tem cordas em sino Que batem rumores, Que cantam as dores, Do lume do céu. Dobradiças cantantes sob fios transparentes Véus de seda e nuvem Sob o branco vale, onde da torre emana a poesia dourada dos infinitos campanários No amanhecer de pedras Toda luz sonora perfura Celeste colunas brancas…
As asas púrpuras
Sai em busca do luar, Para no mais alto cume Tecer a lunografia. Encontrei um par de asas púrpuras No poeticial sublime do tempo Toquei no dourado veludo De seus ramos E no azul da rosa eterna desfrutei aormas Do noturno estival Os alaúdes vibraram sons de ouro Em sábios sonetos…
No Armazém dos anos estão pertences que valem vinténs de chuva … de quem tem sua morada na poesia!
Armazém dos Anos II
No armazém dos anos… Está o anzol, a linha e o peixe prateado adormecido no balcão do tempo está o damasco amarelo e a memória dos primeiros amores as estrelas de carambola com aromas de esmeralda No armazém dos anos A passagem para outro tempo E as margaridas da metáfora…
Teatro do tempo em outros versos Sou três luas, três Marias três Alices uma Sofia Labirintos secretos reluzindo no prisma do tempo Abrem-se o relicário o fabulário o clavenário São três luas, três Marias três Alices uma Sofia Uma sempre tarde, Outra sempre noite, Outra manhã eterna…
O Cisne e o Sino Como sineiros dobrados no tempo, Cantam feridas perdidas no abismo de nossa alma O Cisne na sua mansidão flutua como uma barca Sempre a espera, sempre paciente, sempre sincero As flores brancas vem como espumas, estrelas aquáticas, edelweiss sublimes e sopros gelificados lã inflorescente de inspiração preciosa…
