Um Porto de mil pontes
E setecentos cais no horizonte
Um Porto de Pedra e memória
Na suas ladeiras de azulejos,
Um porto de portas abertas
Às Margens do mar
Às Margens do mundo
Por onde a Gaivota branca e benfazeja passeia
Singela e sublime como tuas Camélias
A espalhar lençóis de flores pelo chão
Nas calçadas, nas ruas, nos jardins, nas almas
Brancas como as nuvens nas torres de suas Igrejas
Vermelhas como teu vinho frutal adormecido no perfume dos Carvalhos
Vastas como teus ventos que cantam e varrem nossos corpos
Um cidade flutuante encrustada nos séculos
Subterrânea, marítima e aérea
Suas caves, suas águas de cristal, suas torres
Poroso portal do tempo nos ladrilhos da lembrança
Tuas casas antiquíssimas derramam-se numa trama
De telhados sob céu, do alto para o baixo
Vermelho, amarelo, laranja
A cidade estampa cores aquecidas
contrastada com o frescor azul
das cenas de azulejos,
Cenas do passado, o próprio tempo
estampado, como um céu refletido.
Um Porto iluminado, um farol ao longe!
Um cidade laranja, como vinho mais envelhecido,
Em sua ourivesaria do infinito…
A alma do vinho canta as alegrias do
Porto, na noite alta de suas candeias de sentido
Acendem-se assim como seus segredos,
Suas praxes misteriosas…
Encantos de anjos e bruxas
Fabricam teu convite.
Tantos Portos vistos,
Nunca como a ti
Um Porto-Retrato
Visitado e sonhado
Um Porto como uma porta para abrir…
Ainda a ser descoberto!
Um Porto de mil faces
Atrás porta….Um Porto
De Mil pontes, mil noites,
O Porto de Portugal.