O dinheiro é duro E pode endurecer até os corações mais frágeis na velocidade dos juros… Enquanto o tempo passa sem pressa Miro garrafas de asfalto a brilhar num silêncio cheio de azul Valéria Cristina Silva
Autor: Valeria Cristina P. da Silva
Um Porto de Mil Pontes
Um Porto de mil pontes E setecentos cais no horizonte Um Porto de Pedra e memória Na suas ladeiras de azulejos, Um porto de portas abertas Às Margens do mar Às Margens do mundo Por onde a Gaivota branca e benfazeja passeia Singela e sublime como tuas Camélias A espalhar lençóis de flores pelo chão…
Aurora Boreal-Austral
Céu de rosas azuis No zênite dos ventos Verdes. Carmim-lilás Sóis sensíveis Leques de luz Divina e difusa Deusa diáfana Na amplidão tempo-sonho Arco-íris aceso Na escura noite Poesia luminosa Pólos de sentido.
O Tempo
Escuto o tempo nas batidas do relógio Vejo o tempo nas folhas tenras, Nas metamorfoses refletidas nos espelhos O aroma do tempo está nos perfumes da memória E o seu gosto na comida que fazia a minha vó. Vejo, ouço, degusto, cheiro mas não o sinto. Fabrico-o no grão da vida, na batida lenta…
O ENCONTRO DA POESIA
Homenagem à A Carlos Drummond de Andrade Adentra o reino das palavras Com bocas, olhos e ouvidos atentos, Colha o verso maduro no minuto que passa. Teça a fábula invisível com palavras sonhadas Detenha-se no ruído que cai do silêncio Venha cerzir como ourives o fio da palavra Antes da solvência do…
Poética Flutuante
Publico aqui a leitura e as palavras lapidadas de Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado sobre o Livro Em Asas de Borboletas e Em bolhas de Sabão. Bento observa o onírico, o doce, o atemporal de um modo arguto e sensível como só o texto abaixo revela: Versos que flutuam – A poética de Valéria…
Pétalas No Arco-Íris
Pétalas deslizam Formando camafeus Num infinito encanto O arco é a ponte, o passo na lenda É a pintura no horizonte! Jogo pétalas no arco-íris Sob um fundo azul brigadeiro Carneiros de nuvens em carrossel Flutuam num vento de anil Tudo que se move, Tudo que sonha e sorri voa no firmamento. Flores…
Um convite de borboleta
Um lápis para cada poema
Pinto de azul as flores do dia De carmim as do passado E rosa-laranja as do futuro Pinto um poema Quando a lua crescente É uma xícara de sonho Pousada no firmamento Quero pintar de luz A brisa transparente Como a cor da chuva no rosal Pintar de sonho A…
Cidade Velha
O latejar das chaminés E as tramelas esquecidas Costuram treliças, trapézios, trapiches… Ourivesaria do infinito Um candelabro acende A cada lembrança. As esculturas da memória secretam uma lição do tempo As águas-furtadas Cantam telhados de outrora Nas confrarias oníricas A textura dos vórtices Abrem-se em cúpulas imaginárias Quartos,…
